Existem momentos na vida profissional que ultrapassam a dimensão pessoal.
São momentos que pertencem à história.
No dia 20 de agosto de 2026, em Joinville, vivi um desses momentos: pela primeira vez na história do CRECI-SC, uma mulher conduziu, do início ao fim, uma Sessão Plenária do Conselho.
E essa mulher fui eu.
Mais do que uma conquista individual, considero esse momento um símbolo de transformação e de abertura de novos espaços para a participação feminina na representação institucional da nossa profissão.
A notícia foi registrada oficialmente pelo CRECI-SC como um marco histórico para a instituição. A sessão também apresentou outro dado significativo: dos 24 conselheiros participantes, 12 eram mulheres e 12 eram homens.
O significado de ocupar uma cadeira de decisão
Quando uma mulher chega a um espaço de liderança, ela não leva apenas o seu próprio nome.
Leva sua história, suas experiências, seus aprendizados e, principalmente, a responsabilidade de representar tantas outras profissionais que também constroem diariamente o mercado imobiliário.
Ser a primeira mulher a conduzir uma Sessão Plenária do CRECI-SC me faz olhar para trás com gratidão e para frente com ainda mais responsabilidade.
Porque ocupar um espaço é importante.
Mas ajudar a abrir caminhos para que outras mulheres também possam ocupá-lo é ainda mais importante.
A participação feminina no mercado imobiliário catarinense vem crescendo e se fortalecendo. E essa realidade precisa estar refletida também nos espaços onde são construídos diálogos, tomadas decisões e discutidos os caminhos da profissão.
Liderança feminina não é sobre substituir. É sobre somar.
Acredito profundamente que liderança não deveria ser uma disputa entre homens e mulheres.
Liderança é preparo.
É responsabilidade.
É capacidade de ouvir, dialogar, construir consensos e tomar decisões pensando no coletivo.
Homens e mulheres possuem experiências diferentes, trajetórias diferentes e perspectivas diferentes. Quando essas perspectivas conseguem estar presentes no mesmo ambiente, o diálogo se torna mais amplo e a representação se aproxima ainda mais da realidade da categoria.
Por isso, considero tão significativo o equilíbrio registrado nessa Plenária.
Não se trata apenas de uma fotografia daquele dia.
É um retrato de uma profissão que está mudando.
A mulher corretora de imóveis precisa estar onde as decisões acontecem
Como Diretora de Integração Feminina do CRECI-SC, esse tema faz parte da minha atuação institucional.
Meu propósito é contribuir para que cada vez mais mulheres estejam preparadas para ocupar espaços de liderança, representação e decisão.
Isso passa por capacitação.
Passa por conhecimento.
Passa por networking.
Passa por inteligência emocional, ética, segurança profissional e, principalmente, pela confiança de que podemos ocupar esses espaços sem deixar de ser quem somos.
Não precisamos abandonar nossa essência para exercer liderança.
Precisamos estar preparadas para exercê-la com responsabilidade.
Uma conquista que pertence a muitas mulheres
Quando recebi a responsabilidade de conduzir aquela Plenária, sabia que aquele momento tinha um significado especial.
Mas, ao olhar para a história, percebo que nenhuma conquista acontece sozinha.
Existem mulheres que vieram antes.
Existem mulheres que abriram portas.
Existem mulheres que enfrentaram dificuldades para conquistar espaços que hoje parecem naturais.
E existem muitas mulheres que estão chegando agora e que ainda encontrarão portas que precisam ser abertas.
É por elas também.
Por isso, receber esse reconhecimento do CRECI-SC tem para mim um significado que vai muito além de um título ou de uma fotografia.
É a confirmação de que quando uma mulher se prepara, assume responsabilidades e ocupa espaços com seriedade, ela também pode ajudar a transformar a história da instituição da qual faz parte.
O futuro também precisa de mulheres preparadas
O mercado imobiliário está mudando.
A profissão está mudando.
As relações de trabalho estão mudando.
E as instituições também precisam acompanhar essa transformação, preservando seus valores, sua responsabilidade e sua história, mas permitindo que novas vozes participem da construção do futuro.
É esse equilíbrio que acredito ser necessário:
respeitar a história, valorizar o presente e preparar o futuro.
O momento que vivi em Joinville não encerra uma história.
Ele abre uma nova página.
E espero que, daqui a alguns anos, conduzir uma Sessão Plenária do CRECI-SC por uma mulher já não seja considerado algo inédito.
Que seja simplesmente parte da realidade.
Porque talvez esse seja o verdadeiro significado de uma conquista:
chegar primeiro para que outras possam chegar mais facilmente depois.
Um passo meu. Um avanço nosso.
Tenho orgulho de ser corretora de imóveis.
Tenho orgulho de representar minha categoria.
E tenho ainda mais orgulho de poder contribuir para que a mulher corretora de imóveis tenha cada vez mais voz, preparo e presença nos espaços institucionais.
Que essa conquista seja lembrada não apenas como o dia em que uma mulher conduziu uma Plenária pela primeira vez.
Mas como o dia em que percebemos, mais uma vez, que o futuro da nossa profissão é construído por todos nós — mulheres e homens, juntos, com responsabilidade, respeito e propósito.